terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A SUÍÇA NÃO FOI TÃO GENEROSA


No último dia 9 de fevereiro, uma advogada brasileira foi atacada por skinheads suíços quando saía da estação de metro e ia rumo à sua residência em Zurique. A brasileira, que estava grávida de gêmeas, foi espancada durante quinze minutos, teve a roupa rasgada e ainda foi marcada com cortes de estilete pelo corpo todo e em decorrência do ataque sofreu um aborto instantâneo.

Algumas das marcas no corpo da brasileira possuía a sigla SVP, um partido de Direita da Suíça que prega pela expulsão de todos os imigrantes do referido país.
Rapidamente o caso ganhou notoriedade da mídia e o governo brasileiro, muitas vezes omisso à situação dos seus cidadãos em território estrangeiro (quem não lembra do caso dos brasileiros que ficaram horas e horas no aeroporto da Tailândia sem qualquer contato com a Embaixada? Ou dos inúmeros brasileiros que são detidos nos aeroportos do mundo todo sem receberem qualquer auxílio do órgão que deveria representá-los?), cobrou investigações sérias e punições severas aos culpados pela justiça da Suíça.
Afinal de contas, a brasileira fora discriminada, não só pelos seus agressores, como também pela polícia que desde logo apresentou um certo ceticismo pelas alegações trazidas, questionando a natureza dos ferimentos, assim como a gravidez que a brasileira atestou desde o início dos ataques.

Exames realizados no Hospital da Universidade de Zurique, pelos peritos que acompanham o caso, demostraram que a brasileira não estava grávida no momento dos ataques e que se tratava de um caso de autoflagelação, já que não foram encontrados hematomas no corpo da brasileira e os cortes foram realizados em locais que poderia ser facilmente alcançados.
O diretor do Instituto de Medicina Forense da Universidade de Zurique, Walter Bär, descreve: “qualquer médico forense experiente não hesitaria em dizer que este é um caso de autoflagelação (...) resultados laboratoriais de exames realizados na brasileira pelos ginecologistas do Hospital da Universidade de Zurique apontaram que Paula Oliveira não apresentava gravidez no momento do suposto ataque. Os exames também constataram que os cortes encontrados no corpo de Paula foram realizados em locais que poderiam ser alcançados por ela mesma. Partes mais sensíveis do corpo feminino - como as auréolas dos seios, umbigo e genitais - não foram atingidas pelos ferimentos”.
Todas essas afirmações colocam em contradição as alegações apresentadas pela brasileira e suscitam algumas dúvidas: Porquê não há cortes nas nádegas ou nas costas? Onde estão os fetos que foram abortados? Quem divulgou as fotos dos ferimentos? Porquê não há hematomas pelo corpo da brasileira já que ela relatou que fora espancada durante quinze minutos?
Com certeza, essas são ponderações que deveram ser respondidas pelas investigações para que seja possível determinar o ocorrido no presente caso. Alegações de que a brasileira não estava grávida (com fora dito pela polícia suíça), de que a mesma sofre de lúpus (uma doença que ataca o sistema imunológico, principalmente a pele, e que pode trazer distúrbios neurológicos, incluindo alucinações) tornam esse caso ainda mais controvertido e suspeito.
Constantes são as indignações por parte do povo brasileiro, dizendo que a polícia suíça deve agir com mais cautela, a investigação criminal deve ser sigilosa além de respeitar o princípio universalmente consagrado da presunção de inocência e não condenando a brasileira na mídia.
O nosso Governo que transforma o Brasil num país que mantem o lema de que “tudo pode, tudo deve, você nunca será punido”, abriga terroristas italianos e os oferecem asilo político com todos os benefícios que essa condições impõe, está estarrecido com a opinião de governo suiço de que caso a brasileira seja considera culpada, ela deverá responder criminalmente pelo fatos e versões que foram apresentados.
Infelizmente, ela não estava no país do Carnaval, das mulheres peladas, dos políticos corruptos, dos políticos dos castelos, do mensalão, da máfia das ambulâncias, dos anões do Senado, quando sofreu esses ataques. Ela está residindo num país onde a justiça, pode até ter as falhas, mas ao contrário da nossa, investiga os fatos e pune de modo exemplar os culpados.
Esperamos apenas, que as alegações apresentadas pela brasileira sejam verídicas, porque se não, mais uma vez, manteremos a assertiva de que somos “fanfarrões” e perdermos toda a credibilidade mundial.
Por: Cristiane Helena

2 comentários:

  1. Dr. Cristiane Helena,

    Meus parabéns pela análise do caso envolvendo a brasileira Paula Oliveira na Suiça.
    A possível falsidade dos fatos narrados pela jovem bacharel de dirteito à polícia trata-se, sem dúvidas, de algo bastante sério que poderá contribuir para o fomento de algumas práticas discriminatórias e falta de credibilidade à imigrantes brasileiros que residem no território europeu.
    Vossa visão traduz a experiência de vida fora do Brasil e a lamentável imagem que alguns cidadãos europeus possuem do povo brasileiro, muitas vezes, construidas apartir de atos vergonhosos praticados, inclusive, por imigrantes brasileiro.
    Todavia, devemos ter cautela quanto ao elemento subjetivo da conduta desta jovem, eis que ainda não é possível saber com qual intenção a mesma fez isso.
    Logo, talvez ela seja ralmente vítima, não dos ataques nazistas, e sim vítima de algum transtorno psicológico que possa apontar para inimputabilidade criminal.

    Mais uma vez, parabéns pelo brilhantismo.
    ´
    Fábio Zech

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  2. Grande amigo Fábio, parabéns pelo Blog.

    Bruno Lins,

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